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Histórias reais

A história do Israel: do desespero da semana 1 ao mês 12

Por Israel Ermel · 7 min de leitura · 27 de abril de 2026

A história de Israel Ermel — fundador do Hair Health Space

Antes da cirurgia: a parte fácil

Pesquisei por meses. Comparei clínicas, vi antes/depois, assisti vários videos no YouTube de pessoas que fizeram o transplante capilar. A parte de decisão foi cuidadosa.

Cheguei na clínica certa, fiz a avaliação, fechei pacote. Atendimento até a cirurgia: 10 de 10. Equipe educada, exames rigorosos, plano detalhado. Saí da consulta confiante.

O dia da cirurgia também foi tranquilo. Foram 8 horas, FUE, cerca de 6.000 folículos e 15.000 fios. A equipe explicava cada passo. Eu pensei: "se foi assim até agora, o resto vai ser fácil".

Não foi.

Dia 1: a noite que não acabava

Cheguei em casa com o kit pós-operatório, faixa, manual impresso. Tomei a primeira medicação. Comi algo leve. Tudo certo.

Aí veio a hora de dormir.

O manual dizia: "Durma com a cabeça elevada a 45° pelos primeiros 7 dias." Tudo bem. Empilhei dois travesseiros. Sentei encostado.

Eu  durmo de bruços. Tentar dormir sentado, com a cabeça em uma posição que meu corpo nunca tinha feito antes na vida, foi uma forma específica de tortura. Toda vez que eu ia dormir, o corpo escorregava para o lado. Toda vez que escorregava, eu acordava em pânico achando que tinha encostado a área receptora no travesseiro.

Olhei pro celular: 3:14 da manhã. Não tinha dormido nada.

 Naquela noite eu pensei: "isso aqui não é normal. Tem que ter alguém que possa me dizer se eu estou fazendo certo agora, em tempo real, não só no retorno daqui a uma semana." 

Dia 3: a dor que não devia estar ali

O manual previa desconforto, não dor. A clínica tinha sido clara: "vai ter pouca dor, controlada com analgésico". E nos primeiros dois dias, foi assim.

No terceiro dia começou uma dor diferente. Não era da cirurgia. Era no estômago, irradiando, com sensação de queimação.

Mandei mensagem pra clínica. Resposta veio 4 horas depois: "vamos ver no retorno".

4 horas. Eu sei que clínica é cheia, sei que não é emergência. Mas naquele momento, com dor, sem dormir há 3 dias, isso era uma eternidade.

No retorno (no 7º dia), o cirurgião perguntou qual remédio eu estava tomando. Mostrei a caixa. Era o genérico do que ele tinha prescrito — eu peguei na farmácia mais barato porque achei que dava no mesmo.

Ele me olhou e disse: "Não dá no mesmo. Para alguns pacientes, principalmente com estômago sensível, o genérico tem uma resposta diferente. Eu sempre prescrevo a referência por isso."

Trocou para o original. Em dois dias, a dor foi embora.

A jornada visualizada

Semana 4: o pânico do shock loss

Aí veio a parte que eu sabia que ia vir, mas que mesmo assim me destruiu emocionalmente: o shock loss.

Eu li sobre. Sabia que era esperado. Sabia que era benigno. Mesmo assim, quando você acorda e a fronha do travesseiro tem dezenas de fios, e você olha no espelho e a área receptora está visivelmente mais vazia do que estava na semana 2, você pensa duas coisas:

  1. "Joguei R$ 30 mil fora."
  2. "Por que ninguém me avisou que ia ser ASSIM?"

O que mais me chocou não foi o shock loss em si. Foi a solidão informacional. Tive que ir no Google de novo, ler em fórum gringo, traduzir, comparar com fotos de outros pacientes. A clínica mandou um WhatsApp automático: "Está tudo dentro do esperado!" — e foi.

Mas eu queria mais do que isso. Queria que alguém que entendesse exatamente em que dia eu estava me explicasse o porquê, com a calma de quem já tinha visto isso 10 mil vezes.

Mês 3: voltei a respirar

Os primeiros fios novos apareceram. Finos, claros, espalhados — mas estavam lá. A confiança voltou aos poucos.

Foi nesse mês que comecei a desenhar o que viria a ser o Hair Health Space.

A ideia era simples: e se existisse um app que soubesse exatamente em que dia da recuperação você está, te mandasse um lembrete proativo na hora certa, organizasse seus medicamentos e abrisse contato direto com seu médico em um toque, com um resumo clínico já pronto?

E se ele tivesse uma IA treinada em protocolo médico pra responder perguntas às 3 da manhã?

Sou engenheiro. Comecei a esboçar.

Mês 6: o resultado começou a aparecer

Aos 6 meses, eu já tinha cabelo onde antes só tinha pele. Não era o resultado final ainda — uns 50–60% do que viria — mas era inegável.

Em paralelo, o app foi tomando forma. Trilha de 52 semanas mapeada. Catálogo de conteúdo pré e pós. Sistema de notificações proativas. Chat com IA conhecendo a fase do paciente.

Conversei com cirurgiões parceiros pra revisar protocolos. Conversei com pacientes pra validar se a UX fazia sentido. Conversei com a Anvisa pra entender o que eu podia e não podia comunicar.

Mês 12: o resultado e o lançamento

Aos 12 meses, o resultado consolidado superou minhas expectativas. As entradas que me incomodaram desde os 28 anos não existiam mais. Cabelo onde precisava, com densidade natural, sem aquela aparência "transplantada" que algumas clínicas deixam.

Foi também o mês em que o Hair Health Space subiu para a App Store e Google Play.

O que eu faria diferente

Reflexão honesta. Se eu pudesse voltar atrás:

  • Praticaria dormir sentado por 1 semana antes da cirurgia. Aprender a dormir em outra posição na noite mais ansiosa da sua vida é uma ideia ruim.
  • Compraria a medicação de referência exata que o médico prescreveu, sem economizar com genérico. A diferença foi pequena no preço, gigante no conforto.
  • Teria preparado fotos de referência da área receptora a cada 3 dias, pra não me apavorar com mudanças naturais (como o shock loss).
  • Não teria mandado mensagem pra clínica em pânico no domingo. Esperaria a resposta no horário comercial — quase tudo é menos urgente do que parece às 3 da manhã.
  • Teria usado um app como o Hair Health. Sério.

Por que isso virou uma empresa

Eu poderia ter feito o app só pra mim, ter compartilhado com 10 amigos, ter encerrado o assunto. Mas três coisas me convenceram a ir mais longe:

  1. Eu não sou o único. Conversei com 30+ pacientes — quase todos relataram o mesmo desamparo na 1ª semana.
  2. As clínicas querem isso. Mandam 30 WhatsApps por dia respondendo as mesmas dúvidas. Um app reduziria isso drasticamente — e os pacientes ainda assim ficariam mais bem cuidados.
  3. Eu odeio quando algo ruim acontece e não tem jeito de impedir que aconteça com outras pessoas. O pós-operatório do transplante é exatamente isso: um problema repetitivo, conhecido e resolvível.

O que eu quero que você leve daqui

Se você está pensando em fazer transplante:

  • Pesquise tanto a clínica quanto o pós-operatório oferecido.
  • Não economize na medicação prescrita.
  • Prepare seu corpo pra dormir reto antes da cirurgia.
  • Tenha um plano pra os momentos de pânico — eles vão vir.

Se você já fez:

  • O que você está sentindo agora provavelmente é normal.
  • Mas se algo te incomoda, fale com seu médico, não com o Google.
  • E baixe um app que te acompanhe. (Se for o nosso, melhor.)